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Especialistas alertam que, apesar das promessas de simplificação, a implementação pode não ser tão positiva quanto se espera

A Reforma Tributária no Brasil já passou por sua primeira votação no Congresso e está prestes a transformar o sistema fiscal do país. A introdução do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e outras modificações, como a criação do cashback para famílias de baixa renda e mudanças nas alíquotas do IBS e CBS, estão gerando grandes expectativas.

Contudo, especialistas alertam que, apesar das promessas de simplificação, a implementação pode não ser tão positiva quanto se espera. Os impactos dessa reforma podem representar desafios significativos tanto para empresas quanto para consumidores. O objetivo é modernizar e simplificar a estrutura de impostos no Brasil, mas as mudanças trazem complexidade, exigindo adaptação por parte de todos os envolvidos.

Para Antônio Queiroz, CEO da Queiroz & Venâncio Assessoria Contábil, as mudanças vão muito além de ajustes superficiais. “A reforma não será apenas uma nova ‘guia’ para o preenchimento das obrigações fiscais, mas uma reestruturação completa na maneira como o imposto será apurado e gerido. Isso exigirá uma adaptação de todos os envolvidos”, afirma Queiroz.

A introdução do IVA e a modificação das alíquotas de impostos como o IBS e CBS vão impactar diretamente o cálculo dos tributos e os processos internos das empresas. De acordo com Queiroz, ao contrário da percepção inicial de muitos profissionais, a reforma não exigirá apenas uma adaptação nos cálculos fiscais, mas também uma mudança no papel dos contadores, que precisarão atuar de maneira mais estratégica.

O novo papel dos contadores

O impacto da reforma vai além da mudança nas alíquotas e regras de apuração de impostos. A nova estrutura exigirá que os contadores desempenhem um papel mais integrado à estratégia financeira das empresas. “Agora, os contadores precisarão não apenas aplicar as novas regras, mas entender como elas afetam a saúde financeira das empresas e oferecer soluções mais integradas aos processos fiscais”, explica Queiroz.

Com isso, a atuação dos profissionais de contabilidade precisará ser revista. Eles terão que se adaptar a uma realidade mais complexa, onde serão responsáveis por mais do que apenas aplicar cálculos, mas também por antecipar e propor soluções para os desafios fiscais enfrentados pelas empresas.

Além de se adequarem às novas regras fiscais, as empresas precisarão revisar seus processos internos, investir em treinamentos e, possivelmente, em sistemas de gestão fiscal mais avançados. A transição para o novo modelo tributário exigirá um esforço conjunto entre empresários e contadores para garantir que as mudanças sejam implementadas de forma eficaz.

Queiroz ressalta que, apesar dos desafios, a reforma também pode trazer novas oportunidades para as empresas que souberem adaptar suas práticas fiscais às novas exigências. “A reforma exige que todos os envolvidos sejam estratégicos e bem-preparados. A adaptação não será simples, mas também oferece mais oportunidades para quem souber tirar proveito das mudanças, tornando a gestão tributária mais eficiente e alinhada às necessidades do mercado”, afirma.

Desafios na arrecadação de impostos

Outro aspecto relevante da reforma é a criação de novos tributos e as mudanças nas alíquotas, que visam aumentar a eficiência e transparência na arrecadação. No entanto, a implementação desse novo sistema de arrecadação dependerá da adaptação das empresas e dos profissionais de contabilidade às novas regras, o que pode gerar um período de incertezas no curto prazo.

A reforma tributária promete um sistema mais eficiente, mas, como observa Queiroz, essa mudança não será fácil. “A transição será complexa. O processo de adaptação exigirá um grande esforço de todos os envolvidos, mas, se bem gerido, pode resultar em uma gestão tributária mais eficiente e alinhada com as necessidades do mercado.”

O Brasil se prepara para uma transformação no sistema tributário. Para que a reforma seja bem-sucedida, será necessário um esforço conjunto entre o governo, as empresas e os profissionais de contabilidade. O desafio está em fazer com que o sistema tributário funcione de forma eficiente, promovendo benefícios tanto para empresas quanto para consumidores, mas sem perder de vista a complexidade e os desafios que essa mudança implica.

A expectativa é que, ao final, o Brasil consiga modernizar e simplificar o sistema tributário, mas será um processo longo e desafiador. Como conclui Queiroz, “a reforma é uma oportunidade de fazer a gestão tributária funcionar de forma mais eficiente, mas todos precisam estar preparados para os impactos dessa transformação”.

POR: Varejo S.A